por Marcos Guerra - globoesporte.com
O Morumbi já estava todo de verde e amarelo, pronto
para o amistoso de sexta-feira entre Brasil e África do Sul. Mas o belo cenário
não inspirou os jogadores de São Paulo e Internacional. Desfalcados, tricolores
e colorados frustraram seus torcedores ao protagonizarem um empate por 1 a 1,
nervoso e repletos de erros, nesta quarta-feira, pela 22ª rodada do Campeonato
Brasileiro. Assim, os concorrentes deixaram escapar a oportunidade de se
aproximarem do G-4 - permanecem a quatro pontos de distância do Vasco, quarto
colocado.
Em vez de um jogo entre seleções, o que se viu foi uma
partida comum. Daquelas em que os jogadores até se doam em campo, mas pouco
produzem - o público foi de 13.899 pagantes, muito pouco para o time tricolor,
que sonha voltar à Libertadores. Os maestros Jadson e D’Alessandro não
conseguiam reger seus times. Desafinados, foram o termômetro de um empate que
não agradou a nenhum dos lados, assim como a arbitragem do mineiro Ricardo
Marques Ribeiro. Dentre os lances polêmicos, a expulsão de D'Alessandro (por
suposta simulação) e reclamações de pênaltis não assinalados para os dois
lados, além de faltas discutíveis, que travaram o andamento da partida.
Com o resultado, os times mantêm seus postos e seguem a
quatro pontos do G-4 – o São Paulo é o quinto, e o Inter o sexto na
classificação. Aos adversários, fica a prece para que Lucas, Leandro Damião,
Diego Forlán e Guiñazu, desfalques nesta quarta por conta da chamada "Data
Fifa", possam trazer o equilíbrio de volta.
Ainda sem suas estrelas, São Paulo e Inter voltam a
jogar pelo Campeonato Brasileiro no fim de semana. O Tricolor faz o clássico
contra o Santos, domingo, às 16h, na Vila Belmiro. No mesmo dia, também às 16h,
o Colorado recebe o Fluminense no Beira-Rio.
Lá e cá
Em vez do tricolor tradicional, o entorno do gramado do
Morumbi ganhou as cores do Brasil. Um palco pronto para um jogo entre duas
seleções - na sexta, Brasil e África do Sul se enfrentam no estádio. São Paulo
e Internacional deram indícios de que poderiam corresponder ao cenário, mesmo
sem a presença de seus convocados. Lucas foi substituído por Osvaldo, enquanto
Rafael Moura, Dagoberto e Josimar ganharam os postos de Leandro Damião, do
uruguaio Diego Forlán e do argentino Guiñazu – cada um a serviço de sua
seleção.
O Colorado não tardou a mostrar o cartão de visitas.
Rogério Ceni já havia avisado que a bola aérea do adversário era perigosa. Mas
o alerta de nada serviu. Em seu terceiro cruzamento, aos sete minutos, Fabrício
encontrou Dagoberto livre na grande área, e o atacante não perdoou a falha da
marcação tricolor - com um petardo de primeira, acertou o ângulo direito de
Ceni e não comemorou. Dagol voltava ao Morumbi depois de cinco temporadas à
frente do São Paulo. Foi vaiado ao ter seu nome anunciado no estádio. Deu a resposta
com o gol, mas não tripudiou. Apenas levantou os braços e esperou o abraço dos
colegas de time.
O gol acordou o São Paulo. Aos poucos, a equipe foi se
acertando e não demorou para empatar. A equipe, que investia nas ofensivas em
velocidade pelas pontas, errava o último passe ou os arremates. Até que, aos 17
minutos, Osvaldo cobrou com rapidez uma falta e cruzou na medida para o
cabeceio de Maicon. Era o troco, na mesma moeda: em uma bola aérea,
aproveitando um vacilo da defesa.
O jogo parecia que ia deslanchar, mas o que se viu
depois foi um festival de erros e muito nervosismo. Rafael Moura se desentendeu
com Rhodolfo. D’Alessandro chegou a tomar um cartão amarelo por reclamação. Aos
dois times, sobrava vontade para vencer, mas faltava precisão. O Inter tinha
problemas na saída de bola. O São Paulo, que cresceu depois do gol de empate,
errava passes e arremates. Luis Fabiano chegou a furar uma bola cara a cara com
Muriel. Um retrato do que foram os minutos finais do primeiro tempo.
Muito nervosismo, nenhum gol e reclamações
A cerca de 30km do Morumbi, Lucas e Leandro Damião, em
Cotia, provavelmente acompanhavam pela TV o jogo na concentração da Seleção,
com a esperança de verem um melhor aproveitamento de seus times no segundo
tempo. E o são-paulino deve ter gostado mais do recomeço. De nada adiantou o
técnico Fernandão trocar Rafael Moura, apagado, por Cassiano. O anfitrião
abafou o Colorado e não o permitiu atacar.
A marcação pressionada, já no setor de ataque, permitiu
ao Tricolor chegar mais vezes à grande área do adversário. Ainda assim, o
goleiro Muriel teve pouco trabalho. Quem chegou mais perto do gol foi Rogério
Ceni, em uma cobrança de falta que passou a menos de um metro da trave direita.
As seguidas tentativas tricolores nas bolas cruzadas e
na velocidade de Osvaldo renderam apenas alguns sustos em Muriel. O Inter então
aproveitou para subir ao ataque. Foi quando D’Alessandro caiu na grande área,
pedindo pênalti por ter sido segurado por Denilson. Em vez disso, o árbitro
Ricardo Marques Ribeiro entendeu que o meia simulou a falta e expulsou o
argentino, que deixou o campo muito irritado.
O cartão vermelho deixou o jogo aberto. O São Paulo
partiu com tudo ao ataque e deixou espaço para as respostas coloradas. No
entanto, a falta de precisão voltou a falar mais alto.
Depois de 15 minutos iniciais promissores, os nervosos
tricolores e colorados pararam nos próprio erros. Aos 37, em rara investida,
Maicon se chocou com Elton na área, caiu e pediu pênalti. O árbitro nada
marcou, apesar dos protestos dos tricolores.
No fim, mais reclamação por parte dos colorados.
Fabricio protegeu a bola próximo à linha de fundo e parecia apenas ganhar
tempo. No entanto, com um giro rápido, entrou na área, driblou Willian José e
foi ao chão após ser tocado pelo atacante tricolor. O juiz mandou o lance
seguir e acabou a partida depois de um contra-ataque sem sucesso do São Paulo.
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