O sonho da medalha de ouro em Jogos Olímpicos,
inédita para o futebol brasileiro, acabou adiado por pelo menos mais quatro
anos. Na tarde deste sábado, no tradicional Estádio de Wembley, a Seleção
fracassou novamente ao tentar o único título que falta para a galeria da
modalidade no País. Derrota por 2 a 1 para o México e nova medalha de prata no
evento. O camisa 9 Oribe Peralta, por duas vezes, foi o responsável por
consagrar os mexicanos. Hulk, nos descontos, ainda promoveu uma pequena dose de
esperança à torcida.
A obsessão do futebol brasileiro de conquistar o
ouro olímpico, assim, termina pela terceira vez em uma decisão. Antes da queda
em Londres 2012, o Brasil havia sido medalhista de prata em Los Angeles 1984,
quando perdeu por 2 a 0 para a França, e em Seul 1988, depois de derrota para a
União Soviética pelo placar de 2 a 1. O País acabou com o bronze em Atlanta
1996 e Pequim 2008.
O sonho da conquista inédita começou de maneira
surpreendente e tensa para a Seleção Brasileira. A equipe mexicana pressionou a
saída de bola do time de Mano Menezes e conseguiu calar a torcida verde-amarela
com apenas 28s de partida. Rafael telegrafou o passe para Sandro, que não
conseguiu impedir a antecipação de Aquino. A bola sobrou para Peralta arrematar
da entrada da área e abrir o marcador no duelo.
O tento anotado do time mexicano abalou a Seleção
Brasileira em campo. A equipe de Mano Menezes não encontrou o ritmo necessário
para trabalhar a bola e impedir a movimentação rápida dos mexicanos. Somente
depois da metade da etapa inicial, o Brasil controlou o nervosismo e passou a
trabalhar a bola, mas sem nenhuma eficiência ofensiva.
Pessimamente postada no meio-campo, especialmente
pela indecisão de Alex Sandro em relação à posição que deveria ocupar no jogo,
a equipe precisou de uma alteração ainda na primeira etapa para se acertar.
Mano Menezes tirou o lateral/meio-campista para promover a entrada de Hulk,
antigo titular que perdeu a posição durante os Jogos Olímpicos.
A entrada do atacante do Porto rapidamente mudou a
postura da Seleção Brasileira em campo. Com três atacantes de ofício (Hulk,
Leandro Damião e Neymar), o time de Mano Menezes agrediu a defesa rival e criou
duas grandes oportunidades para igualar o marcador. Na primeira, aos 36min,
Marcelo descolou um lindo passe para Oscar, que cruzou na direção de Leandro
Damião. A defesa mexicana, atenta, cortou o lance na pequena área.
Poucos minutos depois, Hulk, visivelmente motivado a
recuperar o prestígio junto ao treinador, obrigou Corona a trabalhar pela
primeira vez na partida. Aos 38min, o atacante arriscou uma bomba, ainda da
intermediária, e obrigou o goleiro mexicano a praticar uma grande defesa. No
rebote, Leandro Damião ainda dividiu com o rival.
O ritmo agressivo e ofensivo da Seleção Brasileira
se manteve no campo de ataque pressionando a defesa mexicana. Logo aos 3min,
Neymar recebeu passe de Oscar, arrancou e chutou de longe. A bola passou rente
ao travessão do goleiro Corona, que apenas acompanhou a trajetória do arremate
para garantir. Foi o primeiro grande lance de um até então apagado camisa 11.
Embora melhor do que o rival em campo, o Brasil por
pouco não viu a recuperação em campo se tornar impossível. Depois de longo
lançamento, Fabián venceu disputa com Thiago Silva, passou por Gabriel e
arrematou por cobertura. Para sorte do goleiro Gabriel e do time de Mano
Menezes, a bola carimbou o travessão. Já aos 24min, Peralta balançou as redes,
mas acabou flagrado em impedimento.
A pressão inicial, aos poucos diminuiu. O México,
por outro lado, cresceu em campo e definiu o marcador aos 30min. Após escanteio
cobrado pela direita, Peralta, grande algoz do Brasil neste sábado, subiu
sozinho dentro da área e tocou de cabeça para as redes de Gabriel. Tento que encerrou
o sonho dourado da Seleção Brasileira e provocou até brigas internas no time,
como a protagonizada por Rafael e Juan. Nos acréscimos, Hulk ainda descontou o
marcador.
FABIO
DE MELLO CASTANHO – TERRA ESPORTES

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