terça-feira, 29 de maio de 2012

Linha-dura: Dorival apresenta estilo rigoroso contra atos de indisciplina

Em cinco meses, cinco jogadores sentiram no campo o reflexo da conduta do treinador colorado. Fabricio pode ser o próximo
Desde agosto de 2011 em Porto Alegre, Dorival Júnior consolidou seu estilo de trabalho no comando do Inter não apenas no campo, mas também em relação à postura. Assim como repreendera Neymar em seus tempos de Santos, é rígido no Beira-Rio quando o assunto atende pela disciplina. Em cinco meses deste ano, cinco jogadores já sentiram o reflexo da conduta do treinador. E nesta terça-feira a direção do clube divulgará a decisão sobre Fabrício, último caso dessa longa lista.
O lateral discutiu com o técnico no início do segundo tempo contra o Flamengo, no sábado, pela segunda rodada do Brasileiro, logo após o gol de Vagner Love. Dorival reclamou na hora por entender que o jogador saiu errado na marcação, ao ir para cima de Léo Moura, deixando o "corredor aberto".
– No momento, eu cobrei dele porque o gol saiu dessa situação. Aconteceu uma reação inesperada que poderia ter prejudicado a todos. Será trabalhado como sempre no Inter, todos os casos foram punidos dentro daquilo que aconteceram.
De forma apaziguadora, a direção agiu na hora e tratou de colocar panos quentes no episódio, ocorrido em função do "calor do jogo". Só que nesta segunda-feira, o vice de futebol Luciano Davi deixou a “punição” do jogador em aberto.
O primeiro caso ocorreu com Bolatti, no início da temporada. O argentino não se reapresentou com o restante dos companheiros, mas argumentou que já havia pedido autorização para o diretor técnico Fernandão. Dorival rechaçou que a atitude colocara o volante no final da fila na disputa por vaga no time. Entretanto, o camisa 8 começou 2012 como quarta opção no setor.
Atraso de Tinga e Dagoberto
No dia 5 de março, foi a vez de Tinga e Dagoberto conhecerem a rigidez de trabalho do comandante. Naquela data, a dupla se enganou sobre o horário de treinamentos, achando que a atividade ocorreria pela parte da tarde. Acabaram realizando os exercícios separados dos colegas.
O episódio culminou com um desenrolar de histórias contraditórias. Dorival justificou, na coletiva do dia seguinte que, por estratégia, o atacante começaria no banco diante do Santos.
Além dele, o volante também ficou como alternativa na partida da Vila Belmiro. No desembarque em Porto Alegre, o comandante do Inter disse que os dois foram preteridos por questões físicas, fato negado pelo departamento médico e por Dagoberto. O diretor técnico Fernandão disse que a decisão ocorreu por conta do plano de jogo.
No dia 9, Dorival deu "fim à polêmica", revelando que os envolvidos sabiam o que havia acontecido e confirmando o retorno da dupla. Dois dias depois, a dupla assumiu o erro e reconheceu que a decisão foi acertada.
Jô e Jajá
Março ainda traria ao técnico mais um caso de indisciplina. Antes da viagem para a Bolívia, onde enfrentaria o The Strongest, Jô deixou a última atividade mais cedo alegando mal-estar. Mas não foi só. O atacante não se apresentou no Aeroporto Salgado Filho. Acabou multado e afastado por 18 dias. Na época, Dorival não escondeu a decepção com a atitude do jogador.
Quando retomava o bom momento, Jô aprontou outra vez. Desta vez, com Jajá. Após a eliminação colorada na Libertadores, diante do Fluminense (no dia 10 de maio), a dupla não deixou o Engenhão junto com o restante da delegação. Eles teriam saído do estádio para uma festa, só retornando à concentração do time gaúcho na manhã do dia seguinte. Na véspera da decisão contra o Caxias, no dia 12 de maio, o então vice de futebol, Luís Anápio Gomes, anunciou que os dois seriam afastados por “tempo indeterminado”.
Os dois começaram a treinar no CT de Alvorada, onde as categorias de base trabalham, na semana seguinte. Enquanto Jô foi negociado com o Atlético-MG, o meia-atacante recebeu uma nova oportunidade: será reintegrado ao elenco nesta terça-feira.
Na última sexta-feira (véspera do jogo contra o Flamengo), mesmo repleto de desfalques, Dorival afirmou que a correção e seriedade precisavam ser prioridade dentro do grupo, mesmo reconhecendo que a possibilidade de contar com Jajá amenizaria os problemas da equipe:
– É um problema sério não ter o Jajá neste momento, mas isso ocorre por culpa exclusiva do atleta. O clube é penalizado? Sim, mas para qual lado a gente corre? O Jajá precisa ter ideia de quanto prejudicou a equipe em momentos importantes. Tanto ele quanto Jô, que, para mim, foi uma decepção ainda maior. Jogadores assim a gente tem de deixar de lado.
Dorival defende Dátolo
Embora demonstre seu estilo disciplinador, Dorival apresenta flexibilidade na hora de avaliar os acontecimentos. Diante do Fluminense, pelo jogo de ida das oitavas da Libertadores, o Inter teve um pênalti a seu favor no Beira-Rio. O encarregado pela cobrança era Nei, tanto que o treinador passou a recomendação ao goleiro Muriel. Mas Dátolo pediu para bater e Diego Cavalieri defendeu. Após o jogo, o técnico admitiu que uma alteração pudesse ocorrer em função da confiança do atleta na bola parada:
– Treinamos quatro ou cinco jogadores sempre. Dei a ordem para o Nei. As últimas vezes dele foram muito consistentes. Mas, na hora, quem se sente mais confiante, toma a iniciativa. É uma decisão de momento, ainda que exista uma decisão de fora. Naquele momento, os jogadores conversam.
Dorival x Neymar: você se lembra?
Esse talvez seja o caso mais emblemático entre Dorival Júnior e um jogador, no que diz respeito à discussão sobre os limites da (in) disciplina. Em 2010, contra o Atlético-GO, Neymar discutiu com o treinador quando este não o deixou cobrar um pênalti.
Dorival decidiu afastar o astro da equipe do Santos. A punição duraria apenas uma partida, já que a direção exigia o retorno do atacante. Na "queda de braço" entre o técnico e o clube, Dorival, que fazia questão de manter o castigo, saiu perdendo e acabou deixando a Vila Belmiro.
Por Tomás Hammes Porto Alegre

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