terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Árbitro que denuncia corrupção no apito brasileiro revela tentativa de coação

Gutemberg diz estar sendo coagido
Por ESPN.com.br com Agência Gazeta Press, espn.com.br
"Tenho um advogado que trabalha no caso desde 2007. Ele recebeu cerca de dez telefonemas de um número restrito. A conversa teve a intenção de coagir o trabalho dele", disse Gutemberg de Paula Fonseca à rádio do Paraná
O ex-árbitro Gutemberg de Paula Fonseca voltou a dar declarações polêmicas nesta terça-feira. O ex-integrante do quadro da Fifa revelou que suas denúncias sobre corrupção na arbitragem renderam uma série de intimidações por telefone e que a intenção dos envolvidos no caso é promover o seu silêncio e cessar as críticas feitas aos comandantes do apito no Brasil.

"Tenho um advogado que trabalha no caso desde 2007. Ele recebeu cerca de dez telefonemas de um número restrito. A conversa teve a intenção de coagir o trabalho dele. A pessoa do outro lado pediu o endereço dele, falou que queria enviar uma notificação a respeito das inverdades que estou falando", revelou Gutemberg, em entrevista à "Rádio Paiquerê AM", de Londrina.

Irritado com as possíveis intimidações que passou a sofrer após as denúncias feitas, o carioca afirmou que entrará na Justiça para descobrir o autor das ligações e tomar as medidas previstas na lei. "Esse tipo de notificação teria que chegar no meu endereço, não no endereço do meu advogado. Já pedimos a quebra de sigilo telefônico. A ligação pode ser de um número restrito, mas ele fica armazenado na operadora. Eles querem me fazer calar, mas não vão."

Após perder o seu distintivo da Fifa para o carioca Péricles Bassols, Gutemberg declarou em entrevista à Rádio Jovem Pan que a arbitragem brasileira sofria com o favorecimento a clubes e inteferências políticas. O ex-juiz atacou o presidente da Comissão de Arbitragem Brasileira, Sérgio Corrêa, e acusou o dirigente de obrigar aqueles que eram escalados para as partidas a ligarem para o seu número, a fim de receberem conselhos sobre como o jogo deveria ser conduzido.

A CBF divulgou uma nota oficial em seu site e confirmou que entrará com um processo contra o ex-árbitro. Segundo a entidade máxima do futebol brasileiro, Gutemberg precisará responder por ações judicias na área desportiva, cível e criminal. O carioca será intimado por ofensa moral, no STJD, além de ser enquadrado em casos envolvendo responsabilidade civil para obtenção de reparo pecuniário por dano moral e crime de injúria.