Em uma
só jogada, Fernandão avançou duas casas. Ao detonar o elenco, depois do empate
com o Sport, o técnico novato ofuscou os péssimos números do Internacional no
returno do Brasileirão. Obteve, de certa forma, mais gás no cargo ao também
deflagrar uma crise interna sem precedentes no Beira-Rio. A entrevista
bombástica é uma tentativa, provavelmente sua última, de sacudir o elenco.
D’Alessandro,
Forlán e Leandro Damião foram os principais alvos da cobrança forte após o 2 a
2 com os pernambucanos. E pelos dois lados do desabafo, da sacudida e da
redução do desempenho fraco, o ídolo garantiu apoio popular e praticamente
inviabilizou sua demissão.
Tacitamente,
Fernandão tirou o peso de só ter uma vitória em seis jogos do returno. Citando
uma zona de conforto entre os atletas, chamando o primeiro tempo do jogo de
domingo de vergonhoso e se colocando no limite. Assim, ele transferiu o debate
e ganhou a torcida.
Nas
redes sociais, o ex-atacante foi pintado como porta-voz do descontentamento. E
por isso o viés de fôlego no cargo se revela. A alta cúpula do Internacional,
mesmo se não concordar com a atitude, ficaria contra a torcida ao demitir
Fernandão.
“Foi
vergonhoso o primeiro tempo, queria estar em qualquer lugar da Terra. Menos
ali. Faltam 13 jogos para terminar. Independentemente de ser eu ou outro
[treinador], chegou a hora de escolher a dedo quem quer seguir”, disparou
Fernandão.
O
detalhe na implosão da calmaria do Inter está no próprio detonador. Até junho
como diretor-técnico, Fernandão participou da montagem do elenco. Indicou
jogadores e também se envolveu em negociações de saída. Foi um dos que bancou a
presença de cinco estrangeiros no grupo mesmo com a restrição de uso de dois
deles.
Agora,
encravado no meio da tabela do Brasileirão e sem vencer há quatro rodadas, ele
dá um puxão de orelhas pelos microfones e até se coloca contra os atletas. Em
uma manobra arriscada para tentar obter indignação, para alterar a postura de
alguns deles.
“Estou
falando para os jogadores ouvirem mesmo. A atitude do primeiro tempo foi
vergonhosa. Ou eles aceitam que foi vergonhoso ou a gente larga. Fui o primeiro
a dizer que a culpa é minha. Tenho que saber motivar. Mas eu não mudei nada
taticamente no time e o segundo tempo foi diferente”, afirmou.
Apesar
da revolta interna, o Colorado manteve sua programação e deu folga geral para
os jogadores nesta segunda-feira. No próximo domingo o time volta a campo no
Beira-Rio. Contra o Bahia, às 18h30min, no jogo que vai revelar se a jogada de
Fernandão surtiu efeito.
Por
Jeremias Wernek - Do UOL