Avassaladora na primeira fase, a Alemanha passou pelo
grupo da morte como se fosse um qualquer. Mesmo sem dar o espetáculo de vários
de seus jogos da última Copa do Mundo, controlou e venceu Portugal, Holanda e
Dinamarca sem ser ameaçada de verdade. Há de se imaginar que a Grécia,
adversário pelas quartas de final nesta sexta-feira em Gdansk, seja o mais
fácil dos alemães até aqui na Eurocopa 2012. Joachim Löw pensa diferente sobre
o time que parece ter vidas infinitas.
"Jogar com os gregos será quase o mesmo que chocar
contra uma rocha", metaforizou o treinador que comanda a Alemanha desde
2006 e cuja equipe tem 14 vitórias consecutivas em jogos oficiais. "Nós
somos os favoritos, é lógico e conseguimos conviver bem com isso. Nos jogos
eliminatórios, depois que começa, ser favorito não conta para nada. Os gregos
não são o tipo de equipe que se deixa atemorizar. Nunca se pode colocá-los de
fora da corrida", disse Löw na Arena Gdansk.
E por mais que o treinador grego seja um português,
Fernando Santos, a inspiração para a fórmula de jogo que faz a Grécia ser
sempre respeitada veio justamente do adversário desta sexta. Mais precisamente
de Essen, a nona cidade mais populosa da Alemanha. Otto Rehhagel deixou a
seleção helênica após a Copa de 2010, quando completou uma década do trabalho
cujo ponto alto foi 2004, ano de título na Eurocopa.
"Há dois corações que batem no meu peito",
afirmou Otto, 73 anos. "Espero que meus meninos gregos joguem bem, mas não
ficaria nada decepcionado se a Alemanha vencesse. Passei anos na Grécia, muitos
anos. Mas, antes de mais nada, sou um alemão", disse. O estilo de jogo
defensivo, competitivo e que só precisa de duas ou três oportunidades para
vencer, sabem os gregos, foi moldado por um germânico e não é diferente com
Fernando Santos. A Eurocopa 2012 mostra isso.
A trajetória da seleção fantasma, do tipo que nunca se
dá por vencida, começou com empate na abertura contra a Polônia. O time da casa
tinha a vantagem no placar e em termos numéricos, mas em poucos minutos a
Grécia empatou, provocou a expulsão do goleiro Szczesny e só não saiu com a
vitória graças a Titón, seu reserva. A derrota para os checos pareceu
desanimar, mas o interminável Karagounis fez o único gol e mandou para casa a
Rússia, favorita da chave. Foi 1 a 0, como nos três mata-matas da Euro 2004.
Sem Karagounis, suspenso, a Grécia tem pela frente uma
equipe também moldada às ideias de um treinador alemão, mas de perfil
diferente. Bem diferente. Joachim Löw costuma repetir que não quer vitórias a
qualquer preço, que é preciso vencer com o estilo da nova Alemanha. Exigentes,
ele e a mídia alemã ainda querem mais de Mesut Özil, apagado na fase de grupos,
mas conhecem o traiçoeiro rival.
"Não podemos errar. A Rússia era um dos melhores
do grupo e foi eliminada pela Grécia. Não poderemos ter erros mentais",
afirmou o zagueiro Badstuber. Ele e Hummels, eleito o melhor do futebol alemão
nas últimas temporadas e que enfim convence pela seleção, vivem grande fase e
diminuem a preocupação defensiva para pegar a Grécia e sua busca por outro 1 a
0. Mas a verdade é que os gregos se sentem confortáveis como estão.
"David ganhou a batalha contra um adversário
(Golias) que ninguém esperava que perdesse, por isso parece-me uma comparação
feliz", sorriu o carismático e rabugento Fernando Santos. "É verdade
que o estatuto e a importância da Alemanha são enormes e espera-se sempre que
cheguem longe nos torneios. No entanto, não estamos aqui de férias. A equipe de
2004 já tinha sido afastada da luta antes de jogar e nós nos inspiramos neles.
O vencedor de Alemanha x Grécia vai a Varsóvia para a
semifinal, quinta que vem, diante do ganhador de Itália x Inglaterra, que se
pegam no domingo.
Com informações da AFP - esportes.terra.com.br

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